JORNAL ENAP

Fundação Escola Nacional de Administração             Informativo Interno            Pública Ano 03º 10 – 18 de maio de 1995

ENTREVISTA / Prof.Paulo Diniz

O técnico de nível superior da DTD, Paulo de Matos Ferreira Diniz, nesta entrevista, fala de suas idéias, sua situação na Escola e nos oferece uma visão panorâmica da vida profissional e pessoal de alguém que escolheu a ENAP para trabalhar.

Jornal ENAP – Como você chegou à ENAP? 

Paulo Diniz - Eu era Coordenador de Programação Financeira e Orçamentária no Ministério da indústria e do Comércio, em 1981, e já desenvolvia algumas atividades de treinamento ligadas à ESAF. Àquela época procurava um órgão ou uma entidade que se dedicasse ao ensino e à pesquisa e, por uma feliz coincidência, li sobre a criação da Fundação Centro de Formação do Servidor Público (FUNCEP). Pelos objetivos desta Fundação e pelo interesse que eu tinha em mudar de atividade, conclui que este seria o trabalho que eu gostaria de ter. Vim até a Escola com a proposta para participar como instrutor. Fui cadastrado para ministrar cursos. Dias depois fui convidado para tornar-me servidor da FUNCEP. As condições eram interessantes. Pedi exoneração do MIC e vim para cá. Assim, de certa  forma, eu escolhi a ENAP para trabalhar, pois eu não queria mais o trabalho administrativo. Queria atividades docentes.

JE – Qual é específicamente sua função na Escola?

Paulo Diniz - Eu sempre fui coordenador de áreas de treinamento. Em função da minha experiência profissional, participei de várias coordenações. Fui coordenador de treinamento, de descentralização, da área institucional e da área de tecnologia. Hoje sou técnico de nível superior e tenho como função executar atividades de treinamento, de elaboração de projetos, programação e execução de cursos. Nestes últimos anos tenho dado preferência para participar como instrutor, sempre na área da Administração Pública.

JE – Que outras atividades profissionais você exerce ou já exerceu?

Paulo Diniz - Comecei a minha vida profissional trabalhando, pela primeira vez, aos quase quatorze anos de idade. Sendo de origem muito pobre, tive logo que começar a trabalhar. O meu primeiro emprego com carteira assinada foi como trocador de ônibus em Belo Horizonte. Depois fui trabalhar numa fábrica de roupas, também em Belo Horizonte. Eu era expedidor na fábrica de camisas Soberana, onde fiquei cerca de 9 anos. Era uma atividade mais fácil, que me permitia estudar à noite. Terminando meu Técnico de contabilidade, fiz concurso para o Banco Mineiro da produção e tive a felicidade de ser o primeiro colocado dentre os 3.000 candidatos. Pedi demissão do banco para montar um escritório de contabilidade. Posteriormente fui para o Rio de Janeiro trabalhar na Rede Ferroviária, também por concurso. Permaneci no Rio até 1969, tendo desempenhado funções na FUNABEM e na FUNAI, quando fui transferido para Brasília. Permaneci na FUNAI até ser admitido no MIC, já em 1975. Em 1994 tive o honroso convite para estruturar a cadeira de Administração Pública para o Curso de Preparação à Carreira Diplomática do Instituto Rio Branco. Estruturei o curso e fui o seu primeiro professor. Vê-se assim uma panorâmica da vida profissional de quem começou a trabalhar aos trezes anos e meio e hoje tem 59 anos, próximos aos sessenta.

JE – Em sua opinião, a Escola vem evoluindo ou já houve um tempo que deixou melhores recordações? Como seria a ENAP ideal?

Paulo Diniz - Quando eu entrei aqui, havia uma atividade muito grande. Houve época em que cada coordenador conseguiu colocar entre 20 a 30 cursos por ano. O movimento era muito grande porque a expectativa que se tinha da FUNCEP era muita. Houve um período longo de ascensão da fundação. Como era uma escola nova, que vinha suceder o trabalho que o DASP executava, a afluência dos órgãos era muito grande. Nas mudanças de governo sempre ocorria uma diminuição de atividade, até  que as novas direções se adaptassem à Escola. Depois voltou a uma demanda normal e esta demanda vem sendo atendida. O ideal seria que a Escola em quadro mínimo de professores. A vantagem disto seria a de garantir a continuidade de alguns conteúdos. Na forma em que estamos hoje, os conteúdos são definidos em grande parte pelos instrutores que vêm aqui. Vão para a sala de aula e muito pouco acrescentam aos que coordenam cursos. Não de toma conhecimento deste conteúdo. A garantia da continuidade de alguns programas seria através de professores da Escola. Instalações nós temos uma da melhores. Quanto aos alunos, basta que ofereçamos bons cursos que atendam às necessidades dos órgãos e dos servidores para estarmos com todas as salas cheias e em condições de promover o desenvolvimento do setor público através da melhoria de seus servidores. Resumindo: a escola ideal teria um quadro mínimo próprio de professores e certos cursos de natureza permanente direcionados à administração pública federal, que se legitimassem no tempo.

JE – Você tem diversas obras publicadas. Fale sobre isto.

Paulo Diniz - Como eu disse no inicio, eu sou contador. Por necessidade do conhecimento, posteriormente fiz Direito e alguns cursos de pós-graduação em Administração Geral. Também sou economista e tive que fazer um curso de pós-graduação em Metodologia do Ensino Superior, para habilitar-me à docência do terceiro grau. Sou professor universitário desde 1975. Na universidade Católica de Brasília eu tenho 3 cadeiras: uma na área de economia (Administração Financeira), uma de contabilidade (Contabilidade Geral) e outra na área de direto (Legislação Tributária). Em função desta atividade, comecei a produzir apostilas e verifiquei que elas tinham grande aceitação. Assim, procurei quem se interessasse em publicar este material na forma de livros. O meu primeiro trabalho publicado com esta formatação e com objetivos de ensino foi, em 1990, o livro Licitações e Contratos – Decreto 2.300. Em 94, ele foi relançado contendo atualizações, já com uma outra preocupação: de ser uma espécie de manual de serviços. Houve também o livro Regime Jurídico Único, publicado pela ENAP em sua primeira edição, e outros. Tiveram boa aceitação. Alguns estão esgotados, outros já estão na terceira edição

JE – Quem é Paulo Diniz na vida pessoal? O que gosta de fazer?

Paulo Diniz – Sou bem casado, há quase 34 anos, com Vânia Moreira Diniz. Somos felizes. Temos duas filhas (Cláudia e Mônica), também casadas, que nos deram 3 netas. Com isto posso dizer que consegui me realizar na vida. Penso que o mais importante em termos de realização pessoal é ter uma família organizada. Minha mulher participou de forma integral de meu desenvolvimento profissional e pessoal. Eu tenho alguns hobbies: ouvir música; gosto de vida social. Nós temos uma coleção de músicas com quase todos os gêneros desde o popular até o clássico. Freqüentamos um clube. Gosto de natação, de assistir futebol, embora não seja tão fanático. Já fui fanático e também jogava.
Paulo Diniz é este. Tem um fato que me engrandece e me satisfaz. É quando recebo de um editor o primeiro volume de um livro. É como se eu recebesse quase um prêmio. Esta satisfação se completa quando estou numa sala de aula discutindo um determinado conteúdo e vejo em cima das mesas um livro produzido por mim